A gradual perda das proibições sociais vem pouco a pouco destituindo os limites do indivíduo. O ocidente pôs certo fim à noção de limite antigamente imposta pela figura paterna, criando uma série de frustrações individuais. O sujeito se sente frustrado, pois não entende que a lei nada mais é que a vontade legítima da sociedade. Aquilo para ele é um empecilho para suas vontades, e não mais uma necessidade para o convívio harmonioso da sociedade. Assim ele precisa sempre desfrutar de algo novo como praticar esportes radicais, beber até cair, etc. Essa rebeldia acaba, por fim, criando problemas no campo da segurança pública no que tange à quebra das normas para desfrutar de “algo novo” que se encontra no roll dos desvios.
Outro ponto a se levar em consideração é o que aborda Dufour (2005). Para ele o mercado é um grande novo sujeito. Nesse novo método de tempos neoliberais, onde há uma livre circulação de mercadorias o tráfico de drogas se beneficia. A escalada no comércio de drogas está intrínseca no livre comércio, onde há pouca ou nenhuma fiscalização alfandegária. A única exigência desse novo mercado é, justamente, a necessidade de que mercadorias sejam produzidas em quantidades cada vez maiores e à custos menores, o que alarga sensivelmente o problema e a necessidade de um controle eficaz nesse setor da economia, influindo diretamente na segurança.
É importante ressaltar, inclusive, o que Salecl (2005) retrata afirmando que certas pessoas possuem uma certa rejeição ao discurso capitalista, criando um “mecanismo psíquico de rejeição das representações insuportáveis”, em relação ao capitalismo. Essa falta de limites da sociedade, aliado à essa rejeição, cria uma pressão sem limites na direção de um “ideal” que não conseguimos encontrar. O indivíduo, então, procura suprir essa falta nas drogas criando um problema social frente as conseqüências que ela causa.



